terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mt. Kilimanjaro - Day 4

Mawenzi Tarn Camp: 4.330m
Kibo Camp: 4.700m
Ascent: 520m
Descent: 100m

Hoje entraremos na região alpina desértica com 60% de oxigênio no ar e acamparemos no último ponto antes do ataque ao cume. Como a água aqui é muito escassa, não tivemos nem o famoso wash-wash neste dia. A caminhada até o Kibo Hut foi bem extensa, mas não tão ingríme. Aqui nos juntamos com o pessoal da Marangu Route, a rota mais popular de escalada do Kilimanjaro. Comemos um lanche no caminho mesmo como almoço e chegamos no acampamento cedo, por volta das 3 da tarde. Teríamos 2hs de descanso até a hora do jantar, mas pra variar eu não consegui dormir pois os carregadores falavam muito alto nas barracas ao lado. Jantamos uma bela macarronada as 5:30pm e voltamos pra dormir novamente. Partiríamos a meia noite em direção ao cume, então era preciso descansar. Mais uma vez não consegui dormir um minuto e me bateu um desespero muito grande. Cheguei a chorar, pois estava cansada, queria dormir e sabia que isso poderia por tudo a perder. Não conseguia acreditar, vinha tão bem até então e agora temia não conseguir chegar... Meu otimismo foi todo embora... Mas mesmo assim, levantei as 11pm, coloquei todas as roupas (1 blusa, 1 malha grossa, 2 casacos, 3 calças, 2 meias, gorro e luvas), comemos algo de novo e saí junto com o grupo. Nós 3 e os 3 guias (Priscus, Henry e Seraphim). Tomei uma decisão importante nesta noite: não importa a condição que estivesse, eu não tomaria Diamox, a pílula mágica da montanha, pois não queria correr o risco de descobrir se era alérgica ou não, já que esqueci de falar com minha irmã médica sobre ele.

Como ainda era noite fechada, usamos as luzes de cabeça durante toda a caminhada. Fazia muiiito frio. Mais ou menos 1 hora depois de sairmos, a Jonnina começou a passar mal e vomitar por causa da altitude e o Daniel tinha tontura, mas mesmo assim todos decidiram continuar. A cada parada por causa dos meus colegas, eu sentia mais frio e os meus pés começaram a ficar dormentes. Eu já nem queria parar mais nem pra descansar, era melhor seguir em frente. Chegou num ponto, aproximadamente a 5.300m, onde a Jonnina não aguentava mais e pediu para voltar. Eu fiquei muito triste, queria muito que ela estivesse lá com a gente. O Henry desceu levando-a e nós continuamos. A trilha era bem íngrime e o frio quase insuportável. Apesar de todo o equipamento adequado, eu tinha muito frio nas mãos, tanto que mesmo com 2 luvas, eu não conseguia usar os bastões para me ajudar a subir. Andamos durante horas e horas, madrugada ainda, passando por todos os caminhos como o Zig-Zag, Williams Point (5.000m), Hans Meyer Cave (5.182m) e Jamaican Rocks. O ar já estava bem mais rarefeito e eu respirava com mais dificuldade. Eu sentia o meu corpo se consumindo, pois eu comia barras de chocolate e cereal, ingerindo em poucas horas mais de 2.000 calorias, mas era como se nada tivesse entrado no meu estômago. Por fora eu congelava e por dentro sentia um calor enorme. Até que num determinado momento, paramos para tomar água e lá de cima eu olhei pra trás pela primeira vez. E vi uma linha de luz bem fina no horizonte e um alívio muito grande veio junto. O sol nasceria em alguns minutos e com ele viria o calor que eu tanto almejava.

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