terça-feira, 27 de outubro de 2009

Zanzibar, Tanzania

No guia Mil Lugares para Conhecer antes de Morrer, a autora fala que Zanzibar, junto com Katmandu e Timbuktu, são lugares que incitam o imaginário dos viajantes há muitos séculos. Eu já imaginava que a chegada a Zanzibar, uma ilha na costa da Tanzania no Oceano Índico, seria atrapalhada e não foi diferente. O meu vôo pela Precision Air era num avião pequeno e eu duvidava que as minhas 2 malas chegassem comigo. Antecipando o pior, um pouco antes de despachar as malas, eu tirei o meu certificado de ter chegado ao topo do Kilimanjaro (aliás, essa foi a viagem dos certificados - topo do Kili, trabalho no orfanato do Kenya e adotado um elefante) de dentro mala e foi justamente essa que não chegou. Mas tudo se resolveu depois de 2 horas esperando no aeroporto-cara de rodoviária de interior. De lá fui direto pro meu hotel, um resort situado na praia de Bjewuu, um verdadeiro oasis de tranquilidade e beleza. Queria toda a mordomia possível, fiquei num chalé de frente pro mar, fiz massagem balinesa e banhos no Spa, comi todos os frutos do mar a que tinha direito. Só queria ficar sem fazer nada e descansar...


A água do mar era translúcida e quente e a areia era branca e fininha. No meu hotel tinha um centro PADI de mergulho do National Geografic (o único na Africa do Leste) e lamentei não poder fazer um curso de mergulho lá, afinal eu só tinha 3 dias e o mínimo eram 7 dias. Dizem que esta costa é uma das melhores do mundo pra mergulho, devido a grande quantidade de corais, águas limpas e intocadas. No meu último dia, antes de embarcar para a capital Dar es Salaam, fiz um tour por Stone Town, uma cidade Patrimônio da Humanidade, com influências árabes, hindus, persas e européias. O resultado de tudo isso são prédios belíssimos (às vezes nem tão bem conservados), várias igrejas, templos e mesquitas convivendo lado a lado. Zanzibar foi o ponto mais importante do comércio escravo na costa leste da África e foi colonizada muito antes do resto do continente. Freddie Mercury nasceu aqui. Um lugar que recomendo a todos visitarem um dia.

Mt. Kilimanjaro - Day 6

Horombo Huts: 3.720m
Marangu Gate: 1.650m
Descent: 2.070m
Nem preciso dizer que na minha última noite na montanha eu dormi feito uma criança durante 11 horas seguidas. O saco de dormir finalmente se tornou a melhor cama do mundo... O dia começou com o bed tea e logo depois teve a tipping cerimony, onde distribuimos a gorjeta a todos da nossa equipe. Cada um de nós 3 contribuiu com US$ 150 e acho que todos ficaram felizes. Choveu pela segunda vez na viagem, mas agora já não importava mais (tive que usar a calça do carregador por cima da minha). Eu continuava com meus joelhos despedaçados e andar em descida o tempo inteiro durante quase 7 horas estava sendo um sofrimento enorme pra mim. Desta vez, ficava sempre por último. A paisagem já tinha mudado completamente em relação ao dia anterior, pois agora o caminho era feito pela Rain Forest, que parecia uma daquelas florestas de filmes. Descíamos pela Marangu Route e fiquei impressionada com a quantidade de gente (não é a toa que é chamada de Coca-Cola route).

Do grupo dos ingleses, 9 conseguiram chegar em Uhuru, uma marca muito boa pro time (oh pai, o cara de 62 anos conseguiu, viu? O filho dele de 34 não...). A Jonnina passou o dia lamentando não ter conseguido chegar e o Daniel disse que não lembrava de nada depois da hora que chegamos no cume. Esqueci de comentar que o Henry deixou a Jonnina no acampamento e subiu de novo para nos encontrar no cume e não estava cansado, impressionante. Chegamos de volta na pousada umas 3 e pouco da tarde e tudo que eu queria (e merecia) era uma bela ducha. Nos encontramos a noite pra jantar e nos despedir, já que eu pegaria um transfer cedo no sábado pro aeroporto em direção a Zanzibar. Foi uma experiência muito legal e desafiadora. A saga do Kilimanjaro foi cumprida com sucesso e agora eu me pergunto qual e quando será a próxima...

Mt. Kilimanjaro - Day 5

Kibo Camp: 4.700m
Summit 1 - Gilmans: 5.681m
Summit 2 - Uhuru: 5.895m
Horombo Huts: 3.720m
Ascent: 1.195m
Descent: 2.175m

Com o nascer do sol mais estonteante que eu já vi na vida, sabíamos que estavamos perto do primeiro topo de Kibo, o Gilmans Point a 5.681m. Paramos para apreciar o sol saindo entre as nuvens abaixo de nós, mas sem olhar diretamente para não causar cegueira momentânea. Ali, sentada numa pedra, eu sentia aos poucos o meu corpo aquecendo, minhas roupas, cabelo e sobrancelhas descongelando, numa sensação maravilhosa de alívio. O Daniel continuava se sentindo tonto e nauseado, mas não queria desistir. Com a empolgação conseguida com a chegada a Gilmans (o parque já confere um certificado a quem chega neste ponto) e me sentindo muito bem fisicamente, eu queria continuar o caminho em direção a Uhuru. Tinha chegado até aqui e não iria desistir. O guia fez uma pequena entrevista conosco para se certificar de nossas faculdades mentais e decidimos partir juntos, numa caminhada que ainda levaria quase 2 horas. Eram 6 e pouco da manhã.

O caminho até Uhuru é magnífico, pois vamos contornando a cratera do vulcão Kibo. Você olha lá pra baixo e se perde na imensidão da montanha. Priscus estava preocupado com uma mudança repentina no tempo, então acelerou nosso passo. Já estávamos andando há mais de 7 horas sem parar e agora eu já tinha quase certeza que conseguiria. Minha visão começou a ficar um pouco confusa, com os objetos distantes aumentando e diminuindo ao mesmo tempo, numa espécie de vertigem. Como todas as 7 rotas de acesso convergem pro mesmo ponto, fomos encontramos com mais e mais turistas (aproximadamente 25.000 pessoas tentam escalar o Kilimanjaro a cada ano e a taxa de sucesso de chegada em um dos 3 picos de Kibo - existe também o Stella Point - é de 65%).

Notei que Priscus começou a passar mal também, parando muito frequentemente e deixando-nos seguir somente com Seraphim. Chegamos em Uhuru por volta das 8:20 da manhã da quinta-feira dia 22/10/2009. A sensação é muito surreal, até porque ficamos apenas 10 minutos lá e tivemos que começar a descida. Todo mundo fica preocupado em tirar um foto na placa, mas eu não tive muita sorte com a minha. Das 4 fotos tiradas pelo meu guia, em 3 aparece uma pessoa na frente atrapalhando... Ele nao sabia enquadrar nem usar o zoom, então a única que se salvou foi a que coloquei no primeiro post sobre a escalada. O Daniel já não falava coisa com coisa (ele não conseguiu nem levantar para tirar a foto do nosso time no cume) e era preciso descer imediatamente com ele. No caminho de volta é que fui me dando conta do que tinha acontecido, chorei de felicidade (já viram que eu choro por tudo) e agradeci muito a Deus por estar bem e por ter conseguido. A descida até o Kibo Hut, onde Jonnina estava nos esperando, durou pouco mais de 2 horas. Mas achei essas 2 horas intermináveis, a cada minuto que parava pra descansar meus olhos ardiam de cansaço e sono, meu corpo começou a doer, meus joelhos foram ficando cada vez mais doloridos com a descida na pedra vulcânica escorregadia. Não via a hora de chegar. No total foram 10:40hs de caminhada, tivemos só 40 minutos de descanso (porque eu literalmente implorei), pois era preciso continuar descendo até o próximo campo, Horombo a 3.720m. Mais 4 horas de caminhada e eu cheguei quase me arrastando...

Mt. Kilimanjaro - Day 4

Mawenzi Tarn Camp: 4.330m
Kibo Camp: 4.700m
Ascent: 520m
Descent: 100m

Hoje entraremos na região alpina desértica com 60% de oxigênio no ar e acamparemos no último ponto antes do ataque ao cume. Como a água aqui é muito escassa, não tivemos nem o famoso wash-wash neste dia. A caminhada até o Kibo Hut foi bem extensa, mas não tão ingríme. Aqui nos juntamos com o pessoal da Marangu Route, a rota mais popular de escalada do Kilimanjaro. Comemos um lanche no caminho mesmo como almoço e chegamos no acampamento cedo, por volta das 3 da tarde. Teríamos 2hs de descanso até a hora do jantar, mas pra variar eu não consegui dormir pois os carregadores falavam muito alto nas barracas ao lado. Jantamos uma bela macarronada as 5:30pm e voltamos pra dormir novamente. Partiríamos a meia noite em direção ao cume, então era preciso descansar. Mais uma vez não consegui dormir um minuto e me bateu um desespero muito grande. Cheguei a chorar, pois estava cansada, queria dormir e sabia que isso poderia por tudo a perder. Não conseguia acreditar, vinha tão bem até então e agora temia não conseguir chegar... Meu otimismo foi todo embora... Mas mesmo assim, levantei as 11pm, coloquei todas as roupas (1 blusa, 1 malha grossa, 2 casacos, 3 calças, 2 meias, gorro e luvas), comemos algo de novo e saí junto com o grupo. Nós 3 e os 3 guias (Priscus, Henry e Seraphim). Tomei uma decisão importante nesta noite: não importa a condição que estivesse, eu não tomaria Diamox, a pílula mágica da montanha, pois não queria correr o risco de descobrir se era alérgica ou não, já que esqueci de falar com minha irmã médica sobre ele.

Como ainda era noite fechada, usamos as luzes de cabeça durante toda a caminhada. Fazia muiiito frio. Mais ou menos 1 hora depois de sairmos, a Jonnina começou a passar mal e vomitar por causa da altitude e o Daniel tinha tontura, mas mesmo assim todos decidiram continuar. A cada parada por causa dos meus colegas, eu sentia mais frio e os meus pés começaram a ficar dormentes. Eu já nem queria parar mais nem pra descansar, era melhor seguir em frente. Chegou num ponto, aproximadamente a 5.300m, onde a Jonnina não aguentava mais e pediu para voltar. Eu fiquei muito triste, queria muito que ela estivesse lá com a gente. O Henry desceu levando-a e nós continuamos. A trilha era bem íngrime e o frio quase insuportável. Apesar de todo o equipamento adequado, eu tinha muito frio nas mãos, tanto que mesmo com 2 luvas, eu não conseguia usar os bastões para me ajudar a subir. Andamos durante horas e horas, madrugada ainda, passando por todos os caminhos como o Zig-Zag, Williams Point (5.000m), Hans Meyer Cave (5.182m) e Jamaican Rocks. O ar já estava bem mais rarefeito e eu respirava com mais dificuldade. Eu sentia o meu corpo se consumindo, pois eu comia barras de chocolate e cereal, ingerindo em poucas horas mais de 2.000 calorias, mas era como se nada tivesse entrado no meu estômago. Por fora eu congelava e por dentro sentia um calor enorme. Até que num determinado momento, paramos para tomar água e lá de cima eu olhei pra trás pela primeira vez. E vi uma linha de luz bem fina no horizonte e um alívio muito grande veio junto. O sol nasceria em alguns minutos e com ele viria o calor que eu tanto almejava.

Mt. Kilimanjaro - Day 3

Kikelewa Caves Camp: 3.600m
Mawenzi Tarn Camp: 4.330m
Ascent: 730m

Acordamos as 7 da manhã e o dia seria relativamente curto com apenas 3:30hs de caminhada, pois como entraremos na zona alpina, o melhor é subir devagar (pole-pole) para aclimatar o corpo. Apesar de ter acordado as 3 da manhã e só tirado um cochilo depois disso, eu não me sentia cansada e nem perdi o apetite. Os meus companheiros já começaram a sentir alguns efeitos da altitude, como dor de cabeça e falta de apetite. O meu único contratempo até agora foi uma picada de inseto que levei ontem no olho direito e que agora tá um pouco inchado. Tinha uma tosse me acompanhando desde o primeiro dia, mas depois de um vidro de xarope, agora estou curada. A Jonnina dividia a barraca comigo e agora estávamos ficando cada vez mais próximas. Aliás, todos ali desenvolvem um senso de equipe e uma ligação muito forte, afinal estamos todos sozinhos nesta empreitada e toda ajuda é bem vinda. A caminhada é feita toda em silêncio, para guardarmos energia. Paramos a cada 40 min ou 1h para um breve descanso.

Por explosões vulcânicas no passado, o Kilimanjaro na verdade ficou dividido em dois picos, Mawenzi e Kibo (o ponto mais alto, Uhuru fica em Kibo). Hoje nossa caminhada foi até a base do Mawenzi, que no total tem 5.150m, mas acampamos a 4.330m. A trilha até lá é muito bonita, cheia de rochas e vales. Descansamos 2hs depois do almoço (como minha mente de gordinha não podia ser diferente, eu estava morrendo de fome) e saímos para mais uma caminhada de aclimatação até 4.500m. O guia assistente Henry nos acompanha a maior parte do tempo, já que o guia líder é responsável também por toda a operacionalização do nosso acampamento. Um detalhe é que durante a trilha, o nosso banheiro são os arbustos, mas agora com a vegetação quase inexistente, temos que procurar grandes pedras para nos escondermos... À noite sempre nos encontramos com o grupo dos britânicos e eles estão indo muito bem também (eles têm um grupo mais heterogêneo, com idades variando de 29 a 62 anos). Estou muito otimista agora, pois tenho me sentido muito bem. Tava bem receiosa até então, pois não sabia como meu corpo iria reagir a altitude. So far, so good.

Mt. Kilimanjaro - Day 2

Simba Camp: 2.600m
Kikelewa Caves Camp: 3.600m
Ascent: 1.000m

Nos acordaram as 7:30 da manhã com o bed tea, uma caneca de chá para nos aquecer antes de sairmos da barraca. O sol começou tímido, mas rapidamente o acampamento virou um verdadeiro varal, todo mundo colocou suas roupas pra secar em cima das barracas, árvores, troncos, etc. Toda a bagagem que não seria usada na montanha foi deixada na pousada e era permitido levar até 15kg, para não sobrecarregar os porters. Mesmo assim eles levavam muito peso, com nossas bagagens, a deles e todos os mantimentos para todo o grupo. O café da manhã nada light consistia em frutas, ovos, bacon, pães e papa de aveia, pois era preciso uma ingestão grande de calorias, já que o corpo consome tudo intensamente. O dia seria longo, entre 6 e 7 horas de caminhada. A temperatura variava muito ao longo do dia, por isso sempre tínhamos que estar preparados. À medida que subimos, a vegetação ia ficando mais escassa. Mas já conseguíamos ver a montanha a nossa frente. A primeira visão é simplesmente maravilhosa e você se dá conta do gigantismo dela.

Existem 3 regras de ouro na montanha, (i) Ande pole-pole (que em swahili significa devagar); (ii) Beba muita água, entre 4 e 5 litros/dia (fora os 3l que carregávamos, comíamos frutas, legumes e sopas) e (iii) Mantenha-se aquecido; O nosso grupo estava seguindo direitinho todas elas. Apesar da caminhada ter sido mais cansativa que no dia anterior, eu me sentia muito bem, sem dores nas pernas, só com dor nas costas por causa da mochila. Na chegada ao segundo acampamento, fomos recepcionados com uma pequena bacia com água para o wash-wash, ou o famoso "banho tcheco". Nem preciso dizer que foram 6 dias sem tomar um banho... Tínhamos também um banheiro extra privativo (os acampamentos tem banheiros permanentes e coletivos, para turistas e carregadores), que nada mais era que uma tenda de lona, com uma bacia e um assento em cima. Coitado do responsável por manter limpo e depois carregar todo este equipamento...

Depois do jantar, sempre tínhamos um briefing sobre o dia seguinte, sobre a caminhada, a vegetação, roupas e horários. Achei o serviço dos guias e de todos muito bom. Até que as nossas refeições eram saborosas. Fui dormir cedo, pois estava começando a sentir um cansaço acumulado de não ter dormido muito bem no dia anteior.

Mt. Kilimanjaro - Day 1

Rongai Gate: 1.950m
Simba Camp: 2.600m
Ascent: 650m

Saímos de Arusha no meio da tarde do dia anteior e pernoitamos numa pousada muito legal ao pé da montanha, chamada Kilimanjaro Mountain Resort. Tive que alugar ainda alguns equipamentos, como saco de dormir para até -18C, colchonete, walking poles (bastões para andar) e uma jaqueta super grossa para o dia do cume. Às 8hs da manhã do dia seguinte saímos em direção ao portão de entrada da Rongai Route. No total éramos 15 pessoas, sendo 12 britânicos, 2 suecos e eu. Para facilitar, fomos divididos em subgrupos, e eu fiquei com os suecos, Jonnina e Daniel (esses da foto com o guia líder, Priscus). Acompanhando o nosso trio, foram destacados 16 tripulantes sendo 1 guia líder, 2 guias assistentes, 1 cozinheiro e 12 carregadores.

O caminho começa na floresta Rongai e o bom é que não conseguimos ver a montanha, para não percebemos o quão distante ainda estávamos... Cada um levava sua mochila com basicamente 3l de água, roupas extras, lanches, protetor, etc, o que dava uns 5kg nas costas. Caminhamos por 3:15hs até chegar ao primeiro acampamento. Como chegamos cedo, o guia decidiu fazer mais 1h de caminhada para aclimatação. Apesar de toda a preparação, descobri que não tinha uma calça impermeável "na pele", pois fomos pegos pela chuva no meio do caminho. Eu tinha jaqueta, botas, luvas e mochila impermeáveis, menos a bendita calça. Fiquei ensopada e com frio. Foi um verdadeiro caos! O acampamento virou um lamaçal, a nossa barraca ficou molhada e muito suja e mesmo trocando de roupa, me sentia com muito frio. É proibido fazer fogueira e o jeito foi dormir assim mesmo...

Confesso que era a segunda vez na minha vida que dormia num saco de dormir, então foi díficil me acostumar de primeira. Para solucionar o problema da minha calça, o guia me emprestou uma calça impermeável de um dos carregadores. Nem preciso dizer que o cheiro dessa calça não era dos melhores, sendo bem educada... O bom foi que não choveu mais nenhum dia, hehe. O ponto alto do dia foi um céu estrelado maravilhoso, anunciando um tempo bom pro dia seguinte.

sábado, 24 de outubro de 2009

Mt. Kilimanjaro - EU CONSEGUI!!!

Congratulations! You are now at Uhuru Peak, Tanzania, 5.895 amsl. Africa's highest point. World's highest free-standing mountain.
Nem acredito, mas eu consegui chegar no topo (Uhuru em swahili significa liberdade) do monte Kilimanjaro, a maior montanha isolada do mundo (todas as outras estao localizadas em cordilheiras). Foram 6 dias caminhando na montanha, num total de 67 km percorridos. No ponto inicial partimos a 1.950m de altitude ate chegar nos tao sonhados 5.895m...
Foram 10:40hs de caminhada initerrupta no dia do ataque ao cume. Saimos do acampamento a meia-noite da quinta-feira dia 22/10 e vimos o nascer do sol acima das nuvens a 5.685m, num espetaculo inacreditavel da bela mae natureza. Nem sei como consegui andar tanto tempo, a subida era super ingrime e o frio era de rachar. Por 2 vezes tivemos que parar e tirar as minhas botas para que os meus pes fossem aquecidos por um gel termico, pois eu nao sentia os meus dedos. Ate o meu cabelo literalmente congelou. A nossa roupa tinha uma camada de gelo permanente, o nariz ardia, a boca queimava, mas eu acho que num momento desses a gente nao pensa muito. Simplesmente segue o guia, um passo atras do outro, durante horas e horas. E tambem porque fisicamente eu estava muito bem (durante os 4 dias de subida, pois nos 2 dias de descida meus joelhos ficaram em frangalhos). Nao senti nenhum dos efeitos da altitude, pelo contrario, meu corpo se adaptou super bem. Claro que a medida que a quantidade de oxigenio vai diminuindo, no topo chega a apenas 50%, a respiracao fica mais dificil e com todo o esforco fisico feito, nao tinha como as vezes nao sentir falta de ar. Mas tudo compensou, e muito.
Apesar de surreal, e uma experiencia incrivel. Eu ainda nao me dei conta de tudo o que passou. Estou muiiito feliz! Ha 5 anos atras, numa tentativa frustrada de escalar o vulcao Osorno no Chile, eu disse que um dia escalaria o Mt. Kilimanjaro. Pois bem, este dia chegou. Fiz historia pra mim mesma.
P.S. -> Este foi um resumo apenas, pois vou detalhar aqui no blog os 6 dias da aventura. Mas depois faco isso, ja que agora estou num super hotel descansando numa praia paradisiaca na ilha de Zanzibar. Eu mereco, ne...

sábado, 17 de outubro de 2009

Chegada a Tanzania

Sai do Kenya na quarta dia 14 e o meu ultimo dia foi ainda de correria arrumando malas e comprando presentes e lembrancas de viagens. Queria postar aqui alguns ultimos comentarios sobre a minha experiencia de 1 mes em Nairobi.
- Primeiro, foi tudo muito alem das minhas expectativas. Amei o lugar, as pessoas, o meu trabalho, tudo. E uma experiencia muito enriquecedora, a qual recomendo a todos que tenham a oportunidade de faze-la. E um exercicio gratuito de bondade, que faz bem a qualquer ser humano. E nao precisa ser Africa, pode ser em qualquer lugar;
- Segundo, conheci pessoas incriveis, que acabei nao mencionando anteriormente aqui. A Charity que trabalha na minha casa, foi uma pessoa a qual serei eternamente grata. Ela tem uma historia de vida muito dificil, pois perdeu o marido assassinado na guerra civil em 2007 e agora tem 2 filhas pequenas para criar. Mas que vive numa alegria imensa, enfrentando as dificuldades do dia a dia sem reclamar. Os voluntarios que trabalharam comigo tambem foram pessoas que me ensinaram muito. Pessoas do mundo todo (Nova Zelandia, Australia, USA, Canada, Mexico, UK) que assim como eu, vieram com o unico proposito de ajudar ao proximo.
- Uma ultima coisa que queria contar sobre o Kenya e que muitas criancas chegam no orfanato e recebem os mais variados nomes, como Mercy, Precious, Hope ou Charity. Entao, muitos adultos tem esses nomes. Uma coisa engracada agora e que devido a descendencia kenyana do novo presidente americano, metade dos meninos chamam Barack ou Obama... Outra coisa, as criancas que nao falam ingles foram ensinadas a quando verem uma pessoa branca, falarem how are you? como uma forma de cumprimento. E muito engracado andar na rua ou chegar num campo de refugiados e todas as criancas comecarem a gritar sem parar how are you?, how are you?

Chegada na Tanzania
Cheguei na Tanzania na quarta a noite na cidade de Arusha, num voo da Kenya Airways. No dia seguinte, as 5 da manha, fui acordada pela chamada para as rezas de uma mesquita bem perto do meu hotel. Nada contra os mulcumanos, mas precisa se esguelar logo de manha bem cedo?? Aqui metade da populacao e mulcumana. Depois ja fui fazer um safari pelo Lake Manyara e Ngorongoro Crater. Confesso que depois do Maasai Mara, tudo parece meio sem graca, mas mesmo assim eu adorei. O lago estava bem seco, quase por completo, mas a vegetacao e bem abundante, diferente das savanas tradicionais. A cratera de Ngorongoro e simplesmente magnifica, o safari é feito dentro do vulcao (la vivem cerca de 30.000 animais). Vimos elefantes, zebras, leoes, bufalos, girafas, varios animais. Depois de 2 dias, voltei a Arusha e daqui estou saindo para a escalada ao Kilimanjaro. Hoje dormiremos ao pé da montanha e começaremos amanha bem cedinho a caminhada. Seja o que Deus quiser. Ja estou bem feliz de estar aqui e de ir nessa aventura. Se tiver condicoes fisicas de chegar nos 5.896m de altitude ficarei muito feliz. Se nao conseguir, esta ja tera sido de qualquer forma o maior desafio da minha vida.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Festa de despedida

Organizei uma festa de despedida no orfanato pelo meu ultimo dia de trabalho. A Jessica, uma voluntaria canadense, me ajudou na organizacao e transformamos uma sala de aula em refeitorio. A Charity, a kenyana que trabalha na minha casa, tambem foi ajudar no preparo do almoco (spaghetti bolonhesa). Tambem contratei um motorista para buscar e levar todo o material da festa. Enfim, foi trabalhoso, mas saiu tudo como planejado. Alias, foi bem melhor do que eu esperava.

As criancas estavam super ansiosas para ver o que eu tinha preparado e elas simplesmente amaram. Nunca estiveram tao felizes, acho. Adoraram o almoco, o bolo confeitado de chocolate, os refrigerantes, as lembrancinhas. Elas nao paravam de sorrir, brincar e de me agradecer. Uma coisa que fiquei encantada e que elas so comecam a comer depois que todas as criancas estao servidas e depois de uma oracao de agradecimento, mesmo com toda fome e ansiedade (todos os dias e assim). Ate quando servimos os refrigerantes com bolo, elas esperaram todo mundo ter o seu copo cheio pra entao tomarem cada uma o seu. Elas nunca haviam ganho uma sacolinha de lembranca com balas, chocolates, doces e pequenos brinquedos de festa. Elas dependem dos voluntarios para todas essas coisas "extraordinarias". E muito cruel pensar que no fundo, um orfanato parece uma prisao. Essas criancas nao recebem visitas de parentes, nao saem de la nos finais de semana para se divertir ou visitar alguem, nao tem contato com o mundo exterior, televisao, nada...

Depois de muita bagunca e brincadeira, veio a "cerimonia" de agradecimento.
Primeiro as criancas e as professoras cantaram musicas infantis em Swahili. Depois, uma musica religiosa chamada God Bless You. Todas as criancas formaram uma fila e vieram me dar um abraco, uma por uma. Simplesmente, foi impossivel nao chorar. Os 3 voluntarios mexicanos que trabalham comigo na escola tambem estavam la e ficaram super emocionados. A Jess nao parava de chorar. Ela fez um video muito lindo da musica, com as vozinhas delas cantando pra mim. Meu Deus, o que tanto eu fiz para merecer tamanho agradecimento?? Sempre encarei a minha vinda pra ca como uma pequena forma de agradecimento. Nao estou e nao estava esperando nada em troca, pois era a minha vez de retribuir.
Muitas criancas choraram quando fui embora. Mesmo no pouco tempo em que fiquei la, acabamos desenvolvendo lacos de amizade, de amor e de carinho. Mesmo com as professoras e cozinheiras (que tambem ficaram no final da fila para me agradecer) foi dificil me despedir. O vigia, um rapaz Masai que nao fala ingles, mas que tem um sorriso muito amigavel, ficou muito triste com a minha partida. Quando voce faz amigos queridos, e normal voce querer manter contato e ve-los de novo. O meu sentimento com todos aqui nao foi diferente. Tenho uma certeza: quero voltar um dia.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Aproveitando os ultimos momentos

Uma coisa que eu esqueci de contar sobre Nairobi e que aqui tem um transito infernal, serio mesmo. Me faz ter saudades de Sampa em dia de chuva... O centro e muito pequeno, as avenidas estreitas e tem uma infinidade de carros. O transito nao e lento nao, e completamente parado!! Da pra desligar o carro e sair. Hoje por exemplo perdi 5hs do meu dia indo e voltando do centro da cidade, um percurso que poderia ser feito normalmente em 1hs.

Ah, teve o mico do final de semana tambem. No sabado, combinamos de pedalar num parque super bonito a 1.5h de Nairobi, de onde voltariamos no domingo. Primeiro demoramos mais de 1 hora so pra achar onde pegava o onibus pra la. Depois, tivemos que rodar a cidade (Naivasha) atras de um lugar pra ficar. Achamos um hotel bem barato, coisa de USD 3/diaria por pessoa. Nunca tinha ido num lugar tao fim de mundo! Horrivel, uma pobreza sem fim, tudo caindo aos pedacos, pessoas mal encaradas, algumas ficavam nos seguindo. Depois de almocar, pegamos uma matatu ate o parque, onde alugariamos as bikes. Nisso ja eram 3pm e algumas pessoas nao queriam pagar os USD 25 de entrada pelas 2hs restantes... Voltamos pra cidade e eu resolvi abandonar o grupo e voltar pra Nairobi. Nao queria ficar naquele fim de mundo, naquele hotel espelunca, com aquele povo assustador :( Fica pra proxima!

Mas falando de coisas boas, eu estou aproveitando meus ultimos dias aqui, correndo contra o relogio pra fazer varias coisas. Fui ao Elephant Orphanage, onde hoje existem 28 animais resgatados de diversas partes do pais e de idades variadas. Nao resisti e adotei "uma elefanta", a Tumaren de apenas 1 ano (http://www.sheldrickwildlifetrust.org/). A mae dela foi morta por cacadores e agora ela vivera no orfanato ate crescer e poder ser reintegrada a natureza, num processo que levara muitos anos. Como sponsor, tenho direito a visita-la quando quiser, bastando apenas fazer uma reserva. Adorei!! Tambem fui ao Giraffe Centre, onde se pode alimentar as girafas e ao Crocodile Place. Depois ponho as fotos. Fui tambem ao famoso restaurante Carnivore, onde nos bons tempos (ou maus?!?!) podia-se comer carne de crocodilos, zebras, gnus, etc. E o nosso tipico rodizio de carnes, mas todo caracterizado no estilo safari. Muito bom.

No mais, estou na maior correria organizando a festa de despedida la do orfanato, que vai ser amanha. E uma surpresa pras criancas, elas nao sabem. Fiz lembrancinhas com varias guloseimas, comprei baloes, bolo de chocolate, refrigerantes. Acho que elas vao adorar! Ja comecei a fazer as malas...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

1 week to go...

Exatamente daqui a 1 semana estarei deixando o Kenya rumo a Tanzania, onde farei safari, visitarei a capital - Dar es Salaam, tentarei escalar o Kilimanjaro e descansarei na paradisiaca praia de Zanzibar. Ontem terminei de ler um livro de um brasileiro (Escalada Rumo Ao Topo Da Africa) sobre o Kili e confesso que fiquei apreensiva. Tenho medo de nao conseguir chegar ate o cume, de passar mal, de me machucar... mas quero ir de todo o jeito. E a minha vontade supera qualquer medinho que esteja sentindo agora.

Mas voltando ao assunto Kenya, eu tambem ja estou de coracao apertado por ter que ir embora na semana que vem. Queria ter tempo de fazer tanta coisa, de ajudar mais no orfanato, de visitar mais lugares aqui na cidade, de conhecer mais pessoas, de fazer safaris em outros parques do pais... Hoje comprei carne para ser servida no almoco, alem das frutas e simplesmente todas as criancas do orfanato vieram me agradecer com um Thank you aunt, God bless you. Fiquei super emocionada (chorei um pouquinho na realidade) por ter sido tao agradecida por um gesto tao simples... Estou muito feliz aqui, levando uma vida simples e livre de qualquer vaidade, nao queria mesmo ir embora, ate porque o tempo passou muito rapido! A maioria das pessoas que conheco sonham em passar um tempo na Tailandia, Bali ou India, eu nao, meu sonho sempre foi a Africa (ja comprei uns 8 livros aqui sobre o continente. Vou substituir as roupas e sapatos que ficarao por aqui com o peso dos livros), os animais e as pessoas daqui.

Ate fui convidada para um casamento aqui em dezembro. Mas talvez volte so no ano que vem. Queria muito, vamos ver.

(Gostaria de agradecer a todas as pessoas que tem acompanhado o blog. Tenho recebido muitas mensagens e emails. Sei que muitas nao conseguem deixar um recado aqui - eu tambem nao entendo o por que, mas estou muito contente com os feedbacks). Beijos!!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Nairobi, Kenya

A capital do Kenya e uma cidade de contrastes, assim como a maioria das grandes cidades brasileiras. Aqui se pode encontrar tanto a miseria absoluta quanto o conforto e a modernidade que o dinheiro pode comprar. Ha diversos shoppings centers, supermercados com todos os tipos de produtos, bons restaurantes e escolas, carros luxuosos e casas espetaculares. Nao esperava encontrar tudo isso por aqui. Mas devido a colonizacao britanica (os kenyanos tambem dirigem do lado direito), ha diversos expatriados e tambem os chamados white kenyans, filhos de imigrantes que desenvolveram sua vida aqui. Os brancos de forma geral sao chamados de muzugus e apesar de nao entender nada de swahili, consigo captar a mensagem quando ouco esta palavra... Por outro lado, e muito comum ver carrocas pela ruas, pedintes, favelas, mercados a ceu aberto vendendo de tudo o que se pode imaginar (ontem vi inclusive umas lapides em oferta), muitos animais pastando. A maioria das lojas e shoppings contam com guardas com roupas militares, armados de fuzis ou metralhadoras na porta, fazendo a seguranca. Alguma razao deve ter... Eles tambem adoram futebol!! E por isso adoram o Brasil!! O classico futebol de varzea tambem existe por aqui.


As ruas de Nairobi sao na sua maioria asfaltadas, mas simplesmente nao existe calcadas na cidade, os pedestres sao obrigados a andar na terra mesmo. Eu mesma chego em casa todos os dias da cor terracota, rsrs. Acho que por isso, as pessoas andam com roupas escuras, de mangas compridas o dia inteiro, independente do calor que esteja fazendo. E como faz calor por aqui... Claro que nao podia deixar de comentar sobre as matatus, um capitulo a parte. Imagino que sejam a "prima" da nossa lotacao (mas como nao tenho experiencia no assunto para comparar, vou descrever as vans daqui). As matatus sao o meio de transporte mais utilizado aqui, ja que nao ha onibus e taxis suficientes na cidade. Os taxis nao tem nem taximetro, tem que combinar antes o valor da corrida. Elas transportam no minimo 14 pessoas (ja contei 23 uma vez), tem uma tela de LCD dentro tocando hip-hop americano ou local nas alturas e as vezes iluminacao de neon interna. Coisa fina... mas pelo menos ninguem mexe com voce, pode subir e descer virtualmente em qualquer lugar da rua e servem qualquer parte da cidade. So andando mesmo pra acreditar...


Ou seja, o Brasil e aqui!! O que me leva ao seguinte pensamento: como podemos ter um estilo ou qualidade de vida semelhante a de um pais do leste africano, situado no maior bolsao de pobreza mundial, se somos uma potencia infinitamente maior do que eles??? Imagino que Nairobi continuara assim por um bom tempo, ja que grande parte do atraso e em funcao de politicos corruptos, que nao tem interesse na melhora de vida da populacao, do mesmo jeito que os nossos queridos e conhecidos tupiniquins fazem conosco...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

IDP Camps e novo orfanato

Ontem fui visitar 2 campos de refugiados em Nakuru, a 2hs de Nairobi. Na verdade, nao se pode chamar de refugiados pois eles nao cruzaram fronteiras, sao "refugiados" dentro do proprio pais. Esses campos sao chamados de IDP Camps (Internally Displaced People) e foram criados justamente para abrigar as pessoas que perderam tudo na guerra civil de 2007. Primeiro visitamos o campo de Pipeline, onde vivem aproximadamente 6.000 pessoas. Fiquei chocada e surpresa com o que vi. Primeiro pelas condicoes precarias em que vivem, em tendas doadas pela ONU e nelas vivem ate 12 pessoas num espaco onde so caberiam umas 5. Como a terra e bem seca, eles nao conseguem plantar nada e com isso dependem exclusivamente de doacoes para se alimentarem. As vezes ficam ate 2 dias sem alimentos, e muito desumano. Segundo, fiquei surpresa pois ao contrario das favelas, os IDP Camps sao muito limpos, os banheiros sao separados das casas e o lixo depositado num buraco afastado. Isso porque as pessoas que vivem la eram acostumadas a terem suas casas e um certo nivel de educacao. Ha um gerente geral e varios conselheiros que se encarregam para que o dia a dia do campo seja organizado. Com a doacao de voluntarios americanos e europeus, uma escola esta sendo construida e ja deve ser inaugurada em 2010. Aos poucos, as tendas tambem serao substituidas por casas de alvenaria (falta o dinheiro para o telhado ainda). Depois visitamos o campo de Kikopey, com 1.100 pessoas. As mesmas condicoes do anterior. Minhas 7 amigas voluntarias de Chicago doaram a construcao de um galinheiro para 200 animais e agora o campo vai ter alguma fonte de renda. Alias, vou iniciar uma campanha para doacoes. Todos os meus amigos trouxeram doacoes de seus paises. Com USD 1.500 conseguimos garantir alimentos suficientes neste campo menor por 2 semanas.

Desde a semana passada comecei a trabalhar no meu novo orfanato localizado em Wangige, com aproximadamente 45 criancas. A ida e mais complicada que a anterior, pois tenho que pegar uma van e depois andar por 25 min numa estrada de terra. Mas todo o esforco compensa. Estou muuuito feliz! Adorando as criancas e os professores e sinto que agora estou realmente contribuindo. As criancas sao limpas, educadas e doces. E a maior festa do mundo a cada manha quando chego...
Fico dentro da sala de aula a maior parte do tempo ajudando as criancas (entre 3 e 5 anos) a fazerem os exercicios em sala. Como elas obviamente tem algumas dificuldades, comprei cadernos de caligrafias para que elas possam melhorar a escrita de letras e numeros. Comprei tambem cadernos, borrachas, canetas, etc. Depois brincamos no recreio e ajudo tambem a servir o almoco, e acabo comendo com elas. O almoco e sempre arroz e feijao. Comprei varias frutas e amanha elas terao uma surpresa depois do almoco. Apesar do suporte de uma ong americana (http://www.cwmf.org/), os recursos sao limitados e falta muita coisa. Uma nova ala esta sendo construida e faltam camas, colchoes, piso... As criancas tem poucas chances de adocao, entao elas estao crescendo la dentro e precisam de camas maiores. Ha 4 criancas HIV positivas, mas que vivem com a mesma alegria que as outras. Saio de la todos os dias emocionada com as licoes que aprendo a cada dia. E ja estou ficando muito apegada a varias delas...

(Estou sempre atrasada com a postagem das fotos... da proxima vez coloco)

Italia (Palermo e Roma)

Nada como 4 dias na Italia para que os -2kg se transformassem em +3kg... rsrs.

O voo da Ethiopian Airlines ate que nao foi dos piores, achei melhor que voar de Iberia. Cheguei em Palermo na sexta de manha e mal pisei na casa que iria ficar hospedada, uma linda villa na praia de Sferracavallo, e ja me ofereceram varias comidas deliciosas. E nao foi diferente o resto do final de semana... O dia estava chuvoso, mas mesmo assim fomos dar uma volta pela cidade e conhecer o centro. Fomos ao mercado, a Igreja de Monreale, ao teatro Massimo (onde foi filmado varias cenas do Poderoso Chefao). Nem preciso dizer que o casamento foi maravilhoso. A Helo casou na Capela Palatina, uma igreja construida em 1140, com mosaicos belissimos e muita tradicao. A familia do noivo preparou um belo banquete que durou ate o anoitecer. Pude comprovar a otima hospitalidade siciliana! Ainda tivemos tempo no dia seguinte de ir a praia e nadar nas aguas do Mediterraneo. E engracado, mas todo mundo vai pra praia com oculos de natacao para literalmente nadar na praia...

Na segunda passamos o dia em Roma e eu tinha esquecido de como essa cidade e simplesmente maravilhosa, ja que fazia quase 10 anos que tinha estado la pela ultima vez. Aproveitei para ir no Vaticano e ver a Capela Sistina, na Fontana di Trevi, no Coliseu, na Piazza di Spagna, todo o circuito tradicional. Ah! que saudade eu estava de comer bem e tomar um vinho... hehe. Mas depois de uma final de semana maravilhoso desses, eu tava um pouco sentida de ter que voltar para o Kenya, mas foi so estar de volta para eu ficar de novo in love com este pais.